sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Por i-isso

Por i-isso
Vi alguém qui mi lembrou você
Mi transportou no tempo
Mi deu ate um suspiro
Vi formas num papiro

Uma forma romântica pra ti ganhar
Ti levar comigo num Tango
Você a moça bonita eu o galã
Um sonho qui começou preto i branco

Podemos colocar a cor favorita
Agradar um ao outro
Passear, dançar, brincar, chorar si preciso
Cultivar o qui venha um dia si tornar amor

Por isso

Mi deu saudadi di você
Vontadi di ti vê
Mesmo sabendo qui vou sofrer
I mesmo assim quero ti ter

Vou sorrir como uma hiena
A carniça o mais belo aperitivo
Buscando ao menos um sentido
Refazendo mais um capricho

Já não mais rabisco uma idéia
É medo i insegurança
Tenho saudadi di quando era criança
I tinha a inocência como aliada

Quem cresce vira mau
Pior que o lobo mau
Gosta do inferno astral
Porque vê tudo isso como legal

É só não da bola
A não ser para brincar
Amarelinha, esconde-esconde
A brincadeira favorita

Pena qui perdemos a pureza
I nos armamos contra tudo
Perdendo valoris, saboris
I isquecendo o qui realmenti somos...
Fev./2010

Sentidos

Sentidos
Porque que a hora não passa
Sendo que o relógio não para
E a terra não cessa o girar
Dias barulhentos e noites calmas

Aqui continuamos e nada acontece
Cadê o caminho da nossa liberdade
Porque não é mais permitido passar
O que foi que fizemos a si próprios

Temos o poder de escolha
Apenas leva um tempo para encontrar a chave
Onde a cada clave um sinal
Ate encontrar o sentido real do que somos

Que lugar é esse que eu mesmo escolhi
Tem tudo o que eu quero aqui
Só não existe relação
Cadê a junção

Invisível no meio da multidão
Tentando uma certa comunicação
Que parece não ter resultado algum
Apenas rápidas trocas entre corpos e olhos

Chego a duvidar se estou aqui mesmo
Minha presença me confunde com algo fantasmagórico
Mas de repente quero mesmo estar como uma nuvem passageira
Que sentido é esse que muda a cada nova vibração

Porque esse vicio de se render ao fascínio vital
Quando se vai a fundo precisa demarcar o caminho da volta
O interesse pode se revelar como enganoso
Como entrar em um mundo pantanoso

Os sentidos se misturam
Embriaga sem saber qual direção tomar
O tornar não é mais concreto
Todo objeto prende atenção

A sutileza daquela beleza majestosa
A fragrância que penetra e ativa
O tom de cores vivas cria uma situação
O som que envolve impulsiona
E completa o ambiente
Jan./2010

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Depois do amanha


Depois do amanha
Caminhando a deriva para o outro lado
Que não se sabe ao certo o que é
Se existe se é ficção ou se tem emoção
Alguns afirmam com certeza o que há la
Mesmo estando do lado de cá

Sem fome sem miséria sem inveja
A paz eterna é o que ali impera
Vamos apenas cumprir os mandamentos
Depois não vai adiantar ficar nos lamentos

Alguns se dizem porta voz da adoração
Tendo como meta a veneração
E assim se conquista mais uma geração
Fantoches guiados sem liberdade de expressão

A ovelha desgarrada será crucificada
Por ter escolhido o livre arbítrio
Não se pode fazer o que da na telha
Como ficar fora das barreiras impostas?

Prosperando sobre meu caos sentimental
Limpando os fragmentos via refluxo
Se enquadrando por falta de opção
E como pede a maioria

Quando partir sem essa de endeusar
O que passou ficou e assim se segue
Cada um com seu papel
Como um arqueólogo com seu pincel
Emergindo o esqueleto das profundezas
Revelando-nos sua natureza
Milhões de anos se passaram
Ali permaneceram intactos
Conservados pelos tempos

Trabalho sinuoso esse, talhado a passos de formiga
Ali esperando o momento certo sem pressa
Não se entrega a pepita de bandeja
Passa-se a peneira de mão em mão
Cada um colhe ao seu modo

Impaciência causa desacordo
Assim o tesouro vai num alvoroço
Correm entre os dedos como grãos de areia
Não tem mão dupla o feito ate aqui constituído

Podemos voltar nas eras
Navegar e beber com os Vikings
Travar batalhas com os bárbaros
Desvendar rituais sagrados
Estudar cidades submersas
Revelar costumes e formas de sobrevivência
Marchar com o pelotão desconhecido
E assim entender mais nosso sentido

Onde e como caminhamos
Quem somos? De onde viemos?
Para onde vamos? Eis à incógnita!

Uma nova historia surge
Compramos à prestação a vida eterna
Quando se trata do sagrado não se contesta
Os dias aqui dizem que é apenas uma passagem

Corremos atrás da felicidade permanente
Nada se sabe se entende da gente comumente...
Nov./2009