sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Assim

Assim
O dia vai
A noite vem
Vai e vem
Assim vamos

Segundos sempre contam
Minutos sempre passam
Horas sempre marcam
Assim Continuamos

Aqui acolá
Dentro fora
La e Ca
Assim ficamos

Ambiente impactante
Presença marcante
Contato cativante
Assim estamos

Mesmo não tendo ninguém
Sempre aparece alguém
Aparentemente
Não declaradamente
Move e mexe
Turbulência de adrenalina

Fruta proibida do éden
Tentação abundante
Resistência picante
Paraíso incrédulo

Anestesia raquidiana
Sem sentir o chão
Alucinação diminuta
Circenses em miniatura

Visão aguda
Olhar pra traz só no retrovisor
Paladar vencido
O amargo do café segura o dia
Sentido deturpado

É necessário o passaporte da alegria
Fantasias, sonhos, trilhas e estradas
Caminhada em longo prazo via pedágio
Em prol da conquista merecedora

Regando a planta do vazo
Fotossíntese o balão de oxigênio
Quebrando a casca do ovo
E conhecendo um mundo novo
Cara a tapa o crescimento

O artesão põe o sentimento
A arte ganha a sua forma
Sua energia ganha à vida
Esta atravessa camadas

Presente do mais inesperado
Surpresa da mais fervorosa
Lembrança boa daquele tempo
Assim guardamos nossas riquezas
Set./2010

Equilibrista arraigar

Equilibrista arraigar
A comunicação do irracional
Onde o racional não compreende
Códigos secretos e senhas indecifráveis
Habitat natural do movimento surreal

Peixe não fecha o olho
Sempre de um lado para o outro
Morcego voa torto
De cabeça pra baixo de novo

Boi de rio de piranha
Carcaça ambulante
Sacrifício e lição
Todo mundo passa

Solidão crônica
Paixão platônica
Escolha ou destino
Dor arrebatadora

O sentido da força de expressão
A gente deixa de ser quem é
Um incentivo qualquer
Mera coincidência

A banda passa
Não para de tocar
Emplacar uma filosofia
Se juntar, desfrutar tal qual

Escrever certo, falar errado
Pra que se preocupar com o correto
Um sotaque soante e mirabolante
Fazendo da intensidade o choque
A estética que não combina com o dialeto

Partir para um lugar qualquer
Desfrutar da mais bela paisagem
Entrar num quadro de Van Gogh
Sentir as dimensões sujeito e objeto

Uma localização misteriosa
Ao fundo a luz do fim do túnel
A panela de pressão explode pro teto
A decolagem do foguete que não garante a volta

A cada dia inventar um recomeço
O itinerário é tanto para ida como vinda
Pra que ninguém fique a ver navios
Ago./2010

Saturno resolveu dar uma volta por ai

Saturno resolveu dar uma volta por ai
O asfalto escaldante
A miragem que nunca chega
O sol a queima roupa
A pele marcada pelo tempo

Encontraremos a porta
Abrir e fechar ate achá-la
O mapa da cidade é seu labirinto
As saídas permanecem intactas

Façam suas escolhas pessoas
A pedra energizante
A planta do poder
Tudo depende daquilo que se crê

Afinal a mente é guiada por si só
Você é o grande condutor que se rege
Aventuras, maravilhavas, tropeços e apegos
O caminho é único onde se cria a própria estação

Derrubar barreiras, levantar muros
A construção volta e meia de uma forma
A arquitetura que se inova a cada tempo
Como virar a pagina de um bom e velho livro

Cores, sons e tons
A transmutação do inato
Camaleão no mato
Libélula na floresta
Sua pele a textura da natureza
Que finge se passar por despercebido
Reflete o que exala
A mais pura criação

Infectados com o meio
Nem sempre é bom
Enxergar
Escutar
Falar

Confundem a expressão
Com cada interpretação
Julgamentos são subjetivos
Como que digitais mentais

O progresso é evolutivo
O regresso é recuo
O momento é único
O problema é matemática

Por favor
Papel, lápis, borracha e régua
Mais uma modelação se inicia
O tempo vai mudar...
Julho/2010

A matéria emudece

A matéria emudece
Um ser aparentemente estranho
Com um jeito de se expressar em versos
Um dia cumprimenta, outro foge
Com um sorriso que conquista, depois some

Uma mente febril bebendo em varias fontes
Se alimentando de conhecimentos
Aprendendo a dividir as idéias
Ignorando a hipocrisia

Na busca de um caminho
Querendo se encontrar
Não seguir o postulado
Como todos pedem
 
Os autênticos não ficam por muito tempo
Vêem e vivem de outra forma
Os minutos as horas contam de outra maneira
Soam como contrastes em meio aos demais

O pouco tempo se equivale a um longo período de aprendizagem
Tudo intenso e denso se fazendo passar por uma miragem
Saudades e idéias são o que ficam no depois do amanha
E assim as coisas vão amadurecendo e sucedendo-se

Novos frutos nascem
Depois dos que jazem
O ciclo se inicia
Coisas surgem

Pedra quicando sobre a água
E assim vamos brincando
Um tempo sem validade
Onde não exista rivalidade

Tirar água da pedra
Só pra quem não tem pressa
Mesmo que não acreditem
Mole ou dura tanto bate ate que fura

Não pedir e sim fazer com que as coisas aconteçam
O balcão do bar foi a bancada que se revelou
Um caboclo véio de guerra me contou de seus limites
Se percebendo e entendendo seu próprio enredo

No real as amarguras da esperança
Esquecemos da nossa própria vogal
No divino a busca incessante (eu)
No inicio e no fim a consoante (ds)

Que pena
Que aquela novena nos salve
Que o som do atabaque soe
Que as velas iluminem os caminhos

Partir não dói
O que dói é a saudade

Então o que nos resta é este momento...
Junho/2010

Preceito entre os mesmos

Preceito entre os mesmos
Abrem-se as cortinas senhoras e senhores
A sociedade pede o espetáculo
Já nos pregaram nariz de palhaço
Pra que lixo se tem o luxo
Entucham o bucho

O cérebro de repolho
Temperado com abrolho
Aperitivo para o povo
E daí se é doloroso

O mal estar do lugar
Da vontade de cagar (defecar)
Um picadeiro cinco estrelas
Decorado com etiquetas

A náusea é mero passatempo
Gestos e projetos apenas no papel
Sorrisos apenas para fotos
Só pra dizer quem são os melhores

Qualquer um rima
Quero ver agir
Pensar no próximo
Considerar um propósito

Deixar as diferenças de lado
Dividir o bolo entre os comuns

Pra que querer educar!
Pra aprender a raciocinar!
Mais um para disputar
Sem essa de lutar

O espaço é escasso
Por que se importar com a criança descalça
O pé já não queima mais no asfalto
Sola antiderrapante no piso de cascalho

O homem que revira o lixo na noite
A calada da madrugada é seu festim
O carroceiro catador de papelão
Faz de seu cobertor seu ganha pão

A recuperação da escola da vida leva
Sabe-se la o que ela vai pregar
Mais fácil se adequar ao obvio
Porque não pensar no outro?
Março/2010

Só por pela pela causa

Só por pela causa
Hoje eu acordei xarope
Estou precisando de uma tosse
Um analgésico antes que eu me coce
Jamais fui precoce

Rouco sim
Louco não

E então vou andando
Dizem que estou pirando
Só porque estou estudando
Ai então vou me camuflando
                                                                                        
Estereótipos são invenções
Pra que generalizar por padrões
Cada um faz o que da na telha
Sem essa de querer entender

Compreender vá lá
Mas sem digitais
Apenas os sentidos
Um belo motivo

Livre, leve e na coleira
Um animal exótico em extinção
O poleiro um pedestal decorativo
Apenas esperando a hora do rasante

Daqui de dentro através da janela vejo outro mundo
Ele se apresenta como todo infinito e se vai fundo
Continuo aqui
Como animal enjaulado, passarinho aprisionado

A liberdade tem um preço
Não pode ter muito apego
Assim eu padeço e esqueço
Que o tempo passa e envelheço

O que se fala aqui
Repercute ali
Depois falam assim
E escuta sabendo
E nada entendemos

Ainda bem que a voz sumiu
Mas as cordas querem tocar
Ondas sonoras
Contaminar

É hoje eu acordei xarope já sem tosse...
Março/2010

Por i-isso

Por i-isso
Vi alguém qui mi lembrou você
Mi transportou no tempo
Mi deu ate um suspiro
Vi formas num papiro

Uma forma romântica pra ti ganhar
Ti levar comigo num Tango
Você a moça bonita eu o galã
Um sonho qui começou preto i branco

Podemos colocar a cor favorita
Agradar um ao outro
Passear, dançar, brincar, chorar si preciso
Cultivar o qui venha um dia si tornar amor

Por isso

Mi deu saudadi di você
Vontadi di ti vê
Mesmo sabendo qui vou sofrer
I mesmo assim quero ti ter

Vou sorrir como uma hiena
A carniça o mais belo aperitivo
Buscando ao menos um sentido
Refazendo mais um capricho

Já não mais rabisco uma idéia
É medo i insegurança
Tenho saudadi di quando era criança
I tinha a inocência como aliada

Quem cresce vira mau
Pior que o lobo mau
Gosta do inferno astral
Porque vê tudo isso como legal

É só não da bola
A não ser para brincar
Amarelinha, esconde-esconde
A brincadeira favorita

Pena qui perdemos a pureza
I nos armamos contra tudo
Perdendo valoris, saboris
I isquecendo o qui realmenti somos...
Fev./2010